marketing religioso

Engraçada a sensação de ter visto uma instalação de arte contemporânea, bem exposta numa igreja, dentro e fora das suas portas.

É certo que a História da Arte sempre foi intimamente ligada à Igreja e às igrejas, na arquitectura, nos frescos que decoram as paredes, etc., mas esta manifestação artística um tanto ou quanto estranha deixou-me a pensar sobre isto.

Pois aquilo a que me refiro não é bem uma instalação artística, mas é tão interessante como se fosse: à porta plantavam-se dois andaimes que, ao mesmo tempo que serviam de corredor para a entrada da dita igreja (que, a propósito, é a igreja do Marquês), apoiavam também a mensagem “As obras da igreja ainda não estão pagas”, ou algo semelhante. Adiante, já no interior da igreja, alguns poucos andaimes à deriva no espaço mais amplo, ali mesmo ao centro, envoltos em fitas de segurança, mas sem que na realidade estivessem a servir de apoio para nada.

Portanto, temos estes andaimes como chamada de atenção para o facto de haver obras na igreja, coloca-se a caixa para donativos ao pé de um dos andaimes, coloca-se uma mensagem em grande escala à porta, e… temos a melhor estratégia de marketing que eu já vi para angariação de fundos para cobrir despesas de obras numa igreja.

Por isso assumi o carácter artístico e criativo da obra como uma hipotética instalação artística. À primeira vista não parece algo muito coerente no espaço em que está, é estranho, causa uma certa repulsão, algum atrito por parte dos comuns fiéis.

Comigo resultou num bom sentido, surpreendeu-me o atrevimento, a diferença, a arte.

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