manifesto: designer bom(zinho)

Estou em tempo de decisões, descobertas, recomeços, e muita, mas mesmo muita procura de caminhos para percorrer.
Conformo-me com a minha forma de ver o design, enquanto parte destes percursos. Assento para mim próprio que enquanto designer, não tenho amigos. Isto é, “amigos, amigos; negócios à parte”, como dizem as bocas.
Não sei se me fica bem rotular o design de um negócio, mas isso são discussões para outros debates.
Vamos jogar ao “Você decide”… Eu explico.

Os médicos devem ser muito bomzinhos, não é tão bonito que dediquem a sua vida a curar as maleitas que atormentam o mundo? Apesar das palavras, não o digo com ironia, é uma profissão querida.
Se eu precisar de um médico recorro a alguém em quem julgo confiar, aquele de quem, por qualquer motivo que agora não interessa, me sinto mais próximo. Um médico, que é muito meu amigo, e é muito bomzinho, porque o é de facto, recebe-me no consultório.
a) O meu problema foi resolvido, obrigado pela bondade, vêmo-nos por aí.
b) O meu problema foi resolvido, obrigado pela bondade, como poderei retribuir?
Você decide o desfecho.

Fico indeciso.
Por um lado, o médico é tão bomzinho, e todos temos o dever de ajudar o próximo. Vá, acima de tudo, e isto é que importa, estamos a falar de umas dores de garganta persistentes, também não se trata de um grande trabalho!
Mas por outro lado, e apesar de não sermos ruins e termos capacidade para dar sem esperar receber em troca, todos precisamos de garantir o nosso sustento, é por isso que trabalhamos nas mais variadas actividades, em benefício das necessidades impostas pela sociedade.
(Ah, que tormenta é escolher… Decisão difícil!) Se o médico tiver muitos amigos, daqueles que confiam que é dever de qualquer médico curar-lhe as dores de garganta em nome de uma amizade generosa, acaba ele próprio sem condições para viver nesta sociedade que formamos. Mas se estivermos a falar de um único amigo, não lhe faz assim grande diferença.

Terminei a parábola. Aos meus amigos, que me desculpem, mas eu formei-me como designer. Eu, que até sou um bocado bomzinho, e faço algumas coisas sem, de facto, esperar recompensas, preciso do design apenas como sustento. Desculpem, mas preciso mesmo, pelo menos nesta fase.

marketing religioso

Engraçada a sensação de ter visto uma instalação de arte contemporânea, bem exposta numa igreja, dentro e fora das suas portas.

É certo que a História da Arte sempre foi intimamente ligada à Igreja e às igrejas, na arquitectura, nos frescos que decoram as paredes, etc., mas esta manifestação artística um tanto ou quanto estranha deixou-me a pensar sobre isto.

Pois aquilo a que me refiro não é bem uma instalação artística, mas é tão interessante como se fosse: à porta plantavam-se dois andaimes que, ao mesmo tempo que serviam de corredor para a entrada da dita igreja (que, a propósito, é a igreja do Marquês), apoiavam também a mensagem “As obras da igreja ainda não estão pagas”, ou algo semelhante. Adiante, já no interior da igreja, alguns poucos andaimes à deriva no espaço mais amplo, ali mesmo ao centro, envoltos em fitas de segurança, mas sem que na realidade estivessem a servir de apoio para nada.

Portanto, temos estes andaimes como chamada de atenção para o facto de haver obras na igreja, coloca-se a caixa para donativos ao pé de um dos andaimes, coloca-se uma mensagem em grande escala à porta, e… temos a melhor estratégia de marketing que eu já vi para angariação de fundos para cobrir despesas de obras numa igreja.

Por isso assumi o carácter artístico e criativo da obra como uma hipotética instalação artística. À primeira vista não parece algo muito coerente no espaço em que está, é estranho, causa uma certa repulsão, algum atrito por parte dos comuns fiéis.

Comigo resultou num bom sentido, surpreendeu-me o atrevimento, a diferença, a arte.

então e o que é que tu estudas?

o problema nunca foi que me perguntem “então o que é que tu estudas?”. o meu problema está quase sempre com a pergunta que lhe está inerente: “design? e isso é o quê?”

hmm… ok, este não é de certeza o “meu” problema apenas. aliás este blog começa mal, estou à partida a rotular o design como algo fora do baralho, quando na verdade eu próprio já devo ter feito essa pergunta a tantos outros estudantes de outras áreas. então seria tonto perder tempo com este post e deveria já fechar a janela e ir dormir.

a questão é mesmo outra: eu nunca soube explicar concretamente o que estou a estudar. este sim, é o meu problema! o facto de, normalmente, tender a demonstrar com exemplos ligados à publicidade, regra geral deixa-me frustrado por saber que estou a reduzir a tão pouco aquilo que um designer deve/pode/sabe/deveria saber fazer.

então estava na altura de eu ir sabendo afinal o que é que eu estudo? o que é que o designer deve/pode/sabe/deveria saber fazer? ainda que na minha cabeça haja uma vaga ideia em forma de nuvem densa a pairar, no momento em que é suposto verbalizar, deve haver alguma descarga entre nuvens, um trovão, uma faísca, e há um bloqueio qualquer. ou isso, ou eu, finalista, não sei ainda o que ando a fazer estes anos todos. (isto é grave)

pode ser que mais à frente volte a pegar neste meu problema. por ora só me sai… dormir.

bem-vindos!

recém-criado espaço de ‘bitaites’ acerca de design.

não sei ao certo que género de tretas vou dizer, mas sei que me apetece pensar (escrevendo) sobre questões que aqui e acolá me vão fazendo comichões e alergias relativamente a esta coisa a que dão pelo nome de design.

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